Archiv für den Monat: Januar 2006

VERINHA, EU VOLTEI!!! COM AMOR, SEU STEFANINHO! VERINHA, I’M BACK TO YOU… WITH LOVE, YOUR STEFAN!!! VERINHA, ICH BIN ZU DIR ZURÜCKGEKOMMEN, MIT SEHR LIEBE, DEIN STEFANINHO!!!


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Foto que Stefan bateu junto com cerca de outras 100 e mandou para o Brasil logo antes de minha chegada aqui, em março de 2001. Minha chegada foi em 8 de abril de 2001. Ele fotografou a casa toda para eu mostrar para mamãe…

Stefan, mein liebling Stefan!!! Du bist wieder da… oh, ich bin so glücklich!!!

Stefan, my dear Stefan!!! You are again here… oh, I’m so happy!!!

Amigos…

Continuo escaneando todos os e-mails que contam muito de nossa história. Mas ao invés de um maçante trabalho, está sendo uma experiência inusitada para mim… STEFANINHO NÃO ESTÁ MORTO!!! ELE ESTÁ AQUI E JAMAIS NOS ABANDONAREMOS!!!

Pois não fomos um dia virtuais? Agora novamente voltamos a este estado um tanto quanto „imaterial“, a partir de hoje Stefaninho renasce para mim e com ele eu resgato a mim mesma!!!

Estou louca? Não sei, mas é o que sinto!!!

Bem, tenho ainda cerca de 850 folhas para escanear… e isto é só o começo… ouço Liedermacher, oh, se pudesse colocar MP3 aqui sem onerar meu bolso e correr o risco de ir parar atrás das grades… Mas na realidade o que eu ouço no momento é uma fita cassete gravada especialmente para mim pelo meu Stefan, e que somente agora ouço…

Repetindo um trecho de um mail de Stefaninho:

„You say „you are not happy with your concept of your life! Sometimes the life seems to me empty of meaning!“ Oh, how I can understand you!!!!!!

Also by me! But the times they are achanging!!!!

My life goes the last years always in the same way, now news. Otherwise at holidays in Greece… But now, I think a new time is beginning! Last years I did live only for my work, for my parents (my father was five years ill, Krebs). And he died last year at June! So I needed to relax some time, and now a new life must begin!“

Stefaninho, ICH LIEBE DICH SO SEHR!!!!! Stefaninho, eu te amo tanto, tanto…

Sua, somente sua,

Deine, nur deine,

Verinha


ENQUETE DA VERINHA, VERINHA’S SURVEY, VERINHAS UMFRAGE

Se você deixasse o Brasil para residir na Alemanha em função de um grande amor, e um dia ele viesse a faltar, qual seria sua decisão?

If you would leave Brazil to live in Germany, because of a great love, and a day, he would not more stay between us…, what would be your decision?

1) Voltaria para o Brasil onde tenho minha família e amigos.
I would come back to Brasil, where I have my family and friends

26,89% (96 votos)

2) Permaneceria na Alemanha e tentaria construir uma nova vida aqui.
I would stay in Germany to try to reconstruct a new life here

22,41% (80 votos)

3) Deixaria que o tempo me iluminasse a respeito da melhor opção.
I would wait till the time would give me an enlightenment (insight) about the best option

27,17% (97 votos)

4) Viveria parte do tempo em cada um dos países, mantendo residência em ambos.
I would live part of the time in each one of the two countries, and I would maintain residence in both.

12,89% (46 votos)

5) Sinceramente, eu não sei o que faria, não tenho a menor idéia.
Sincerely, I don’t know what I would do, I have no idea.

10,64% (38 votos)

Total: 357 votos

Primark

2005: QUIS O DESTINO, AS FORÇAS UNIVERSAIS OU DEUS QUE MEU AMADO STEFAN PARTISSE. DE VERINHA RESTARAM APENAS FRAGMENTOS DE UM SER ESTILHAÇADO PELA DOR. 2006: É CHEGADA A HORA DE CATAR OS CACOS E PROSSEGUIR, ALTIVA.

A picture of me, a little time after Stefaninho’s death.
I was pallid and without sleeping in good conditions for many days… I used a special effect in Paint Shop, „mosaic“, and my intention would be to show someone fragmented in peaces. About this is my text…

 

Amigos, está muito difícil escrever esta Eintrag, não sei se conseguirei. Talvez porque ainda não esteja forte o suficiente para encarar a realidade de que meu amado Stefan não esteja mais aqui. Insiste uma parte minha em continuar a crer que um dia ele ressurgirá pela porta de nossa casa, clamando pelo meu nome „Verinha, Verinha, komm… ich bin wieder da!!!“ (trad.: „Verinha, Verinha, venha!!! Eu voltei, estou aqui!!!“)… no que atirar-me-ei aos seus braços e o abraçarei como nunca dantes.

Ainda não consigo digerir esta dura realidade, de que nosso sonho de vida em comum foi de uma hora para outra reduzido a nada, que perdi meu companheiro ao qual jurei amar por toda a minha vida. Como em todas as situações semelhantes, aparecem aqueles que numa tentativa de nos consolar, discorrem acerca da eternidade, a vida após a morte, um futuro reencontro, e outros quetais, mas isto não diminui em nada a lancinante dor. São palavras, bem intencionadas, mas que na óptica do sentimento soam como vocábulos inócuos. E outros permanecem na expectativa que em dois ou três meses você esteja melhor, cobrando-lhe uma rápida recuperação (como se você tivesse sofrido um pequeno acidente), que lhe calam o choro, pois sua tristeza os incomoda. Mal sabem eles (ou não querem enxergar) que imediatamente após o choque e um período após, permanecemos incrédulos, não nos sendo possível assimilar tão cruel realidade, cuja consciência nos atinge de maneira contundente após uns tantos meses, tornando nossa experiência bem mais dolorosa.

Cada manhã travo uma batalha comigo mesma, porque no âmago de meu ser não quero acordar para a vida – que transmudou-se numa existência destituída de seu sentido maior, sem a calorosa presença de meu eterno companheiro e namorado. Em cada centímetro desta casa eu farejo sua presença, todos os seus pertences praticamente estão no mesmo lugar em que ele os deixou, as folhinhas dos calendários continuam no mês de março, como se o tempo tivesse estancado. Tenho todos os seus objetos pessoais comigo: relógios, sapatos, calças, camisas, jaquetas, escovas de dentes, até o soro fisiológico que ele usava na sua árdua luta contra a doença ingrata… tudo isto como uma forma simbólica de perpetuá-lo, de revivê-lo.

 

E NÃO BASTASSE A DOR DA PERDA NÃO ASSUMIDA, O FURACÃO DA BUROCRACIA ALEMÃ TRANSFORMA VERINHA NUM ROBÔ

 

De chofre, ainda sem digerir tudo o que se passava, sozinha, sem contar com o domínio da língua alemã, eu passei a ver-me obrigada a dar andamento a uma série de processos: herança, pensões, seguros. A cada dia recebendo mais e mais documentos, sem ter uma pessoa que pudesse me ajudar, sem compreender exatamente do que se tratava toda aquela papelada… Não obstante, eu tentava reagir, e num esforço sobre-humano, em brevíssimo período de tempo eu aprendi a diferenciar uma conta a ser paga (isto sempre tirei de letra), de um documento informativo, um formulário a ser enviado para algum lugar com prazo determinado, ou uma carta me convocando para Audiência em Tribunal, etc.

Paralelamente, um medo descomunal apossou-se então de mim. Pelas manhãs, trêmula, eu andava pela casa como um gato acuado, lentamente, esgueirando-me pelos cantos. O pânico generalizado passara a me dominar, assustava-me com o toque do telefone, da campaínha, estremecia ao dirigir-me à caixa de correspondência.

Sem assimilar o que se passava, dividida pelo choque da ausência súbita de Stefaninho, meu grande amor, pelo qual eu chorava escondida, por vezes nas ruas, nos supermercados… e por outro lado pelas exigências da burocracia alemã (que por sinal é muito mais amigável que a brasileira, diga-se de passagem) que me requisitava o que muitas vezes me era impossível levar a cabo sem auxílio. Neste preciso momento pude avaliar algumas poucas pessoas que me deram a mão nas situações cruciais – uma delas foi Frau Riedel, gerente do banco no qual tenho conta, em Donauwoerth. Criatura de coração magnânimo, ela foi sensível a ponto de colocar-se no meu lugar, preocupou-se verdadeiramente comigo e ofereceu-me um suporte sem o qual eu não sei o que teria acontecido. Sou e ser-lhe-ei sempre grata por isto. Helmut também jamais negou bala, jamais omitiu-se em me ajudar no que podia. A propósito: dois alemães. Tal aporte não encontrei por parte de nenhum brasileiro.

 

APÓS A AVALANCHE, MINHA AUTO-ESTIMA ESTAVA REDUZIDA A ZERO, MINHA PERSONALIDADE APARENTEMENTE DESFRAGMENTADA E EU RASTEJAVA PELO CHÃO ACEITANDO AS MIGALHAS QUE ALGUNS ME OFERECIAM.

 

Foi então que converti-me num ser que tudo aceitava, sem que pudesse vislumbrar a alternativa de dizer não, sem condições de defesa. Sentia-me absolutamente impotente diante do „destino“ e qualquer favor eu aceitava de bom grado como um indigente não recusa um prato de comida, mesmo que esteja fria ou insossa. Transformei-me numa criatura submissa, dizendo amém a tudo e a todos por não ter forças para fazer valer a minha vontade, a minha determinação… pois até estas eu havia perdido. Muitas vezes eu desejei ter partido junto com meu Stefan, não poucas vezes passou-me pela cabeça a idéia de dar cabo ao que restara de minha vida, mas então eu refletia – e quem vai cuidar de nossos filhos, de nossos gatinhos Pimbols? E depois… Stefaninho não desejaria isto para mim… E os sites… e os blogs… e os meus amigos do blogg… Maninha Sheila, Angela, Helga, Filipinha, Paulinha, Cesar, Luis, todos, todos e todas, cujos nomes agora me escapam… nestes dramáticos momentos eu jamais esqueci-me de vocês, que tanto amo e que igualmente me amam … e tudo isto me segurou.

 

E AGORA COMEÇO A VISLUMBRAR UM RESGATE DE MIM MESMA. FINALMENTE UMA FAÍSCA. É HORA DE JUNTAR OS FRAGMENTOS DE MEU SER E FAZER-ME NOVAMENTE PESSOA.

 

Ainda sem saber sobre o meu futuro, em que país vou fixar minha residência definitiva (se é que algo possa ser rotulado como tal)… nestas alturas dos fatos e neste estágio de sentimentos eu tomo a importante decisão de resgatar-me a mim mesma. Não mais dizer amém a tudo e a todos, não mais agir como um cordeiro, até porque sempre fui rebelde, uma anti-establishment, como costumo escrever. Nunca fui de obedecer a nada cegamente, de concordar passivamente com regras pré-estabelecidas, etc e tal. Questionadora, polêmica até… eu agora repenso tudo… como foi que um golpe do destino conseguiu reduzir-me a um quase NADA, a um indigente em termos emocionais?…

Mas de agora em diante… vou partir pra briga, gente. Vou tentar depender o mínimo dos outros, não esmolar favores de ninguém, colocar minha auto-estima novamente em primeiro lugar. Sei que a sobrevivência aqui, sozinha, neste clima inóspito e sem carteira de motorista vai requerer um certo gasto em Euros com taxis, etc. Um preço muito menor do que minha auto-estima. Afinal, meu amor próprio não pode ser descartado por uns míseros vinte euros, que seja quarenta, que seja cem, que seja mil, que seja milhares.

Paro por aqui, vou tomar um ar.

Vera Rodrigues-Rath.


PS: sei que este post pode não ter agradado a muitos leitores, pois aqui eu não relato um fato alegre, não propago o senso comum do „pensamento positivo“; eu simplesmente retrato um momento que vivenciei, cruamente, sem maquiagem e sem medo de julgamentos. Aceite quem quiser, eu não escrevi pensando em agradar a ninguém, somente em ratificar para mim mesma a importância de entender o que se passou para que eu não caia novamente no mesmo poço.

E a imagem que passo de mim, adianto-lhes, não corresponde àquela que as pessoas possuem a meu respeito – Frau Riedel jamais cansou de elogiar-me pela perfeição de meus trabalhos, de meus cálculos, de minha organização com toda a papelada. Ela sempre disse que faria mais por mim, se eu não tomasse a iniciativa de fazer por mim mesma… „Sie machen alles perfekt!“ (trad: „a senhora faz tudo perfeito!“) ela jamais cansou-se de repetir. E segundo esta pessoa já querida, Stefan certamente estaria muito orgulhoso de meu empenho.

 


ENQUETE DA VERINHA, VERINHA’S SURVEY, VERINHAS UMFRAGE

Se você deixasse o Brasil para residir na Alemanha em função de um grande amor, e um dia ele viesse a faltar, qual seria sua decisão?

If you would leave Brazil to live in Germany, because of a great love, and a day, he would not more stay between us…, what would be your decision?

1) Voltaria para o Brasil onde tenho minha família e amigos.
I would come back to Brasil, where I have my family and friends

27,60% (93 votos)

2) Permaneceria na Alemanha e tentaria construir uma nova vida aqui.
I would stay in Germany to try to reconstruct a new life here

21,66% (73 votos)

3) Deixaria que o tempo me iluminasse a respeito da melhor opção.
I would wait till the time would give me an enlightenment (insight) about the best option

26,41% (89 votos)

4) Viveria parte do tempo em cada um dos países, mantendo residência em ambos.
I would live part of the time in each one of the two countries, and I would maintain residence in both.

13,06% (44 votos)

5) Sinceramente, eu não sei o que faria, não tenho a menor idéia.
Sincerely, I don’t know what I would do, I have no idea.

11,28% (38 votos)

Total: 337 votos

Uma foto pra amenizar, OK… Stefaninho com mamy Rath e seu avô materno.

A CASA DE VERINHA, A ERMITÃ DO MONTE RIEDLINGEN… (MONTAGEM FOTOGRÁFICA)… VERINHA’S HOUSE, THE HERMIT FROM RIEDLINGEN HILL (A PHOTO MONTAGE)


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A foto acima foi uma montagem que fiz hoje com base em duas fotos, uma de minha autoria e outra de Stefan. Adianto que cada foto foi batida num país diferente, em épocas diversas. Descubram se puderem…

The picture above it’s a photo-montage that I made today with 2 images, one photo by Verinha and the other one by Stefan Rath. I can say that the both photos were taken in different countries, in not the same time.

Depois desenvolverei um texto sobre esta foto, aqui ou em outro espaço.

Later I will write about this photo here or in another space.

Abração, até mais ver…

Verinha Rath.


RELAÇÃO DE FALECIDOS AOS QUAIS ENVIO MINHAS VIBRAÇÕES NESTA VIRADA DE ANO – TODOS PESSOAS ESPECIALÍSSIMAS

LIST OF DECEASED PEOPLE, ALL VERY SPECIAL PERSONS, AND I SEND TO THEM MY BEST THOUGHTS AT THE BEGINNING OF THIS NEW YEAR.

LISTE VON MEINER VERSTORBENEN FAMILIE UND FREUNDE – ICH SEND EUCH MEINE BESTEN GEDANKEN (BESONDERS FÜR STEFANINHO). IHR SEID FÜR IMMER IN UNSEREN HERZEN.

 

Stefan Rath – meu esposo, companheiro e eterno namorado – mein liebling Stefaninho (deixou-nos em 01.04.2005, após completar 50 anos de idade em 14 de Março do mesmo ano – duas semanas antes, quando encontrava-se internado numa UTI). Stefan sempre se orgulhara de ter nascido no mesmo dia que Albert Eintein, seu ídolo maior, assim como de meu pai.

Wir trauern um unseren Kollegen Stefan Rath

Katharina Rath – minha sogra (falecida em 08.01.2004, 3 dias após completar 75 anos de idade, em 05 de janeiro do mesmo ano)

Josef Rath – pai de Stefaninho (falecido em 19 de junho de 1999, após padecer 5 anos de uma doença incurável. Gostava de música, tocava violino e sempre sonhara passar os últimos anos de sua vida num país quente, na Grécia, talvez… e nunca chegou a concretizar seu sonho, assim como seu filho Stefan… meu Stefaninho)

Antonio de Mello Rodrigues, meu pai (falecido em 21 de abril de 1981). Tanto, tanto a dizer sobre papai… tinha muitos pontos em comum com Stefan: o coração de ouro, a alegria, o prazer de receber amigos, parlare, parlare, parlare… e o ídolo maior Albert Einstein.

José Pereira Guimarães, meu padrinho de crisma e meu segundo pai. Um príncipe em seus modos e gentileza, chamava-me carinhosamente de Verosca. Acolheu-me em sua casa em Perdizes por 6 meses, quando minha mãe ficara doente…

José Martiniano de Azevedo Netto – meu padrinho de baptismo e irmão de mamãe. Pessoa de notável inteligência e carisma, foi Professor Catedrático da USP na área de Engenharia Sanitária e perito consultor da ONU – isto entre outros tantos cargos públicos que ocupou. É dele a frase: „Não importa a religião, se você é católico, espírita, budista, judeu, o importante é ter FÉ.“

ABES – Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental – Prêmio Azevedo Netto

Tia Nilza – irmã de mamãe, falecida já há muitos anos, sofria de reumatismo infeccioso e acabou vitimada pelos medicamentos… Primava pela inteligência e o bom senso. Lutou fervorosamente para não ter que usar cadeira de rodas e nisto foi vitoriosa. Uma mulher de fibra e coração.

Vovó Ercília Meirelles Pinto de Azevedo, minha avó materna, falecida em 1969, pelos meus cálculos. A causa mortis foi um fulminante infarto, e ela partiu sem sofrer – apenas deixando muitas saudades. Excelente costureira, fazia uns quitutes deliciosos e fazia-se notar também pelo seu talento artístico (pintou várias telas). Antes de falecer ela preparara uns pastéis que minha tia encontrou na geladeira prontos para o almoço.

Vovô José Martiniano de Azevedo, avô materno, falecido 6 meses após o meu nascimento, de um derrame cerebral que ele como médico conseguiu diagnosticar, sem que nada pudesse ser feito a respeito. Ele era admirado por atender pessoas sem poder aquisitivo sem cobrar pelo seu trabalho. Adorava gatos.

Vovô Simeão Gregório de Mello Rodrigues, meu avô paterno, falecido segundo meus cálculos em 1961. Boêmio, chegado aos jogos e mulheres, era a segunda fortuna da cidade de Jardinópolis até que foi derrotado pela crise do café e perdeu tudo o que possuía menos… sua alegria de viver!

Vovó Isabel, esposa de vovô Simeão – falecida muito antes de meu nascimento, em Jardinópolis, aos 33 anos de idade, vítima de câncer no fígado. Era muito religiosa e prendada. Pouco antes de deixar o mundo ela escrevera uma carta sobre o recomeço de uma nova vida em São Paulo, após a perda da fazenda de café… Sonho, que infelizmente não permitiu o destino que concretizasse.

Minha bizavó materna Lulu, que por sua vez era irmã de meu avô paterno, Simeão. Acho que é isto, se não for no futuro eu conserto. Meu pai era de uma geração acima à de mamãe, e ambos primos em segundo grau. „Vovó Lulu“, como mamãe a chamava, era outra amante de gatos e veio a falecer com mais de 100 anos de idade num casarão antigo pelos lados da Vila Mariana, Aclimação… mais ou menos por lá. Eu me lembro dela quando era bem criança…

Da esquerda para a direita: mamãe (viva, que Deus a conserve por longos anos!) comigo no colo, papai meio emburrado atrás, minha avó materna, Ercília, ao seu lado meu avô José Martiano de Azevedo e à extrema direita minha bizavó Lulu. Ela era irmã do pai de meu pai, vovô Simeão que não aparece nesta foto.

Tio Juca, irmão de papai. Um gentleman, diplomata, um homem de rara fineza. Jamais contraiu matrimônio (assim como os irmãos Dirce e Alceu) e muitos amigos choraram copiosamente em seu enterro. Era muito querido.

Tia Dirce, irmã de papai. Apaixonada por Tito Fleury, teve brigas homéricas com a atriz Cacilda Becker, mas perdeu a batalha e não quis mais saber de namorados. Viveu sozinha o resto de sua vida e mais tarde contratou uma dama de companhia pois passou a ter medo de andar desacompanhada. Morava um edifício da Avenida São João (em frente ao CINERAMA) e ADORAVA meu pai…

Tia Zilda, irmã de papai. Casada com Caio Celidônio, morava na região de Pinheiros, onde nós por um tempo também vivemos. Uma pessoa boa, gentil, sabia muito sobre a história da família. Acabou cega.

Tio Renato, irmão de papai.Morreu de um acidente ao cair da escada de sua casa. Foi o último dos irmãos. Deixou sua esposa Maria e filha Bebel, com a qual mantemos contacto. Ambas residem no Jabaquara.

Tio Raul, irmão de papai. Teve uma vida conjugal dramática, a esposa fugira com outro homem e ele teve que educar todos os filhos sozinho. Sua morte, já com meus primos criados, deveu-se provavelmente a erro médico (ele fora fazer um simples exame, algo assim, e saiu morto da clínica…).

Tio Alceu, irmão de papai, falecido há muitos anos atrás num sanatório em Campos de Jordão, vítima de tuberculose. Ele sempre dizia que „o duro não é morrer, é não ter ninguém que nos leve flores“. E justo ele foi enterrado sozinho num túmulo da cidade de São Simão. Muitos anos atrás meu irmão fez questão de visitar seu jazigo e lá depositar flores, satisfazendo assim ao seu desejo.

Nilce Teixeira, minha amiga, mestra de budismo, colega de faculdade. Morreu poucos anos antes de eu me mudar para a Alemanha. Era formada em jornalismo e Língua Alemã. Faleceu vitimada por uma úlcera gástrica fulminante, aos 40 anos de idade. Era tradutora free lancer na NOVA CULTURAL. Ela deixou este mundo em paz, mas antes desculpou-se para sua mãe pois havia prometido partir depois…

Vera Rodrigues (…), campeã de hipismo, minha prima – morreu há muitos anos atrás, num acidente com seu cavalo, aos 23 anos de idade. Era também artista plástica. Ela tinha um terceiro nome que não me recordo, depois do Rodrigues. Partiu feliz, fazendo o que curtia. Morreu com um sorriso nos lábios.

Ademir, que quando menino, entregava carne para mamãe e que acabou no decorrer de sua sofrida existência massacrado por esta sociedade desumana, vindo a falecer na noite mais fria de um inverno paulistano. Dediquei-lhe um conto: http://www.verinha.de/excluidos.htm

Mary (Maria do Carmo), irmã de meu tio Guimarães, pessoa que me queria muito bem e vice-versa. Assim como titio Guimarães veio a falecer de um câncer devastador. Residia em Poços de Caldas.

Tio Martinico, morto há muitos anos atrás após executar meu avô Simeão na justiça. Um homem conhecido por sua espiritualidade, sovinice mas também por sua rara inteligência e… idiossincrasias (as quais, eu, Verinha, herdei).

Seu filho, Minana, morto há alguns meses, vítima de um diabetes súbito e incontrolável. Médico como o pai, nunca chegou a se casar e faleceu em tristes condições – numa clínica para idosos.

Uma prima minha, cujo nome me escapa (que chamávamos de „Nicinha„), suicidou-se em Mogi Mirim, há muitos anos atrás. Era uma criatura alegre, divertida, cuja presença jamais esquecerei.

Sr. Meier, pai de Fred. Não partiu sem antes enterrar simbolicamente cerca de 250 judeus assassinados pelo regime nazista, através da fundação de um magnífico memorial em Almelo. Após ter cumprido sua missão, Sr. Meier agora repousa na paz de Deus.

O Sr. Cydo Della Betta, pai de nossa queridíssima amiga Angela, que deixou muitas saudades entre aqueles que o amavam e continuam amando.

Sr. Avô paterno de Paulinha, falecido em janeiro de 2003.